Marcadores

Acordar para mamar?


Na semana passada eu contei sobre a consulta de gestante na pediatra. Pois bem, uma das orientações que eu recebi nessa consulta foi acordar o bebê religiosamente a cada três horas para mamar durante o primeiro mês de vida. Fosse dia ou noite.


Confesso que, ao sair do consultório, tinha certeza que não o faria, pois considero completamente antinatural acordar alguém para se alimentar. Quem está com fome não dorme, certo? Ou se está dormindo e sente fome, acorda. Afinal a alimentação é uma necessidade fisiológica.

O João nasceu e eu o amamentava por livre demanda, como acreditava ser ideal. Nada de acordar o menininho do seu sono abençoado - no início ele chegava a fazer de seis a sete horas de intervalo de mamada, principalmente à noite. Paraíso!


Mas eu tive certa dificuldade para amamentá-lo nas primeiras semanas como contei aqui, lembram? Na primeira consulta com a pediatra ele estava mais leve do que quando saiu do hospital e então ela voltou a frisar a importância de acordá-lo a cada três horas para mamar no primeiro mês, pois - segundo ela - nessa idade os bebês não têm consciência da fome enquanto dormem. E que passado esse período eu poderia deixá-lo por conta própria, pois ele não se apertaria mais. Mãe de primeira viagem, insegura com tanta novidade, apavorada com a possibilidade de o bebê estar passando fome e com medo de prejudicar seu desenvolvimento, acabei – totalmente a contragosto – acatando a orientação da profissional.

E isso me incomodava demais. Várias vezes ele mamava, tinha cólicas, chorava, demorava um tempão para dormir e passados vinte a trinta minutos que havia conseguido pegar no sono já estava na hora de acordá-lo para mamar novamente. Eu o acordava com muita dor no coração. Me sentia torturando o pobrezinho. Sem contar o estado de esgotamento que eu ficava por despertar a cada três horas...


O primeiro mês chegou ao fim, o João engordou um bocado – acima do esperado – e eu finalmente deixei de acordá-lo. Mas a essa altura ele já havia se adaptado aos horários. Continuou a acordar para mamar a cada três horas como um reloginho, afinal ele foi condicionado a isso...

Moral da história: se arrependimento matasse...

Sim, me arrependo demais. Se pudesse voltar atrás deixaria que ele dormisse tranquilamente. Por dois principais motivos: ele nasceu grande, gordinho e perfeitamente saudável, não precisava dessas mamadas intensivas. E acredito, com muita certeza, que se não tivesse interferido dessa forma nos seus horários ele estaria dormindo a noite toda desde muito cedo – o que ainda hoje não acontece. E esse hábito seria mais saudável tanto para ele quanto para mim. Não vejo a hora de dormir oito horas ininterruptas novamente e sabe Deus quando isso vai acontecer.


Mais uma da série vivendo e aprendendo!

Meu conselho para as futuras mamães: sigam a sua intuição! Sempre. No fundo, a gente - e só a gente – sabe o que é melhor para o nosso bebê.

Imagens: Reprodução